Duas irmãs, cinco crianças e nenhum homem adulto subiram a prancha em Gênova.
Rosa Forner e Maria Luigia Forner iam encontrar os maridos, que tinham vindo antes para o interior de São Paulo.
Catorze dias depois, diante da costa da Bahia, o eixo da hélice do Principessa Mafalda se rompeu. O navio afundou na mesma noite. As sete pessoas desta família sobreviveram. Este portal conta como, a partir dos documentos que sobraram e da memória que atravessou cem anos.
pessoas a bordo na última viagem, segundo a placa do Galata Museo del Mare, em Gênova.
314
mortos, pelo número que a companhia declarou. Não existe uma lista nominal oficial.
14
dias entre Gênova e a noite do naufrágio, numa viagem até Buenos Aires que levava pouco mais de duas semanas.
Linha do tempo
De 1866 ao centenário
1908
O Principessa Mafalda
Lançado pelo Lloyd Italiano com o nome da segunda filha do rei Vittorio Emanuele III. Em 1909 começa a linha Gênova–Buenos Aires, com escala no Brasil.
192711 de outubro
A partida de Gênova
Rosa Forner, com Enrico de um ano, e a irmã Maria Luigia, com quatro filhos, embarcam na terceira classe. A bordo, 1.259 pessoas.
192725 de outubro
O naufrágio
Diante da costa da Bahia, o eixo da hélice se rompe e a água entra pela popa. O navio afunda na mesma noite. Morrem 314 pessoas.
19372 de janeiro
Nasce Mafalda
Sétima filha de Rosa Forner e Fausto Miotto, no interior de São Paulo. Recebe o nome do navio. Ninguém nunca contou por quê.
Na Argentina, 25 de outubro é o Dia do Conscrito Naval, em memória de Anacleto Bernardi, um marinheiro de 21 anos que voltava doente para casa no Principessa Mafalda e morreu no mar ajudando a salvar os outros.
Em 25 de outubro de 1927, o Principessa Mafalda afundou diante da costa da Bahia com 1.259 pessoas a bordo, a maioria emigrantes a caminho da América. Para lembrar aquela noite e as vidas que ela marcou.
Uma reconstrução do navio para girar, abrir e atravessar, feita a partir de um cartão-postal do Lloyd Italiano, com os nomes das vítimas passando ao fundo.
O livro
Terceira Classe
Por que Rosa Forner deu à filha o nome do navio que quase a matou?
Nove anos de arquivo no Brasil e na Itália, e a memória de uma família que guardou aquela noite por três gerações. Em preparação para o centenário do naufrágio.
Milhares de famílias no Brasil, na Argentina e na Itália descendem de passageiros do Principessa Mafalda. Se você guarda um documento, uma fotografia ou uma história, este trabalho quer ouvir.