Ir para o conteúdo
25 de outubro de 1927 · 25 de outubro de 2027
Terceira Classe
Família

Rocchetti e Luciani

Rosario, Santa Fe, Argentina

A bordo
  • Roccheti, AssuntaTerceira classe · SobreviveuAssunta Rocchetti, vinte e um anos, bisavó de Alberto
  • Rochetti, Marina (17)Terceira classe · Não sobreviveuprovavelmente Marino, o irmão de Assunta, de dezoito anos pela família, com o nome escrito de ouvido
A história

Assunta Rocchetti tinha vinte e um anos e era de Porto San Giorgio, na costa das Marcas, perto de Fermo, que naquela época pertencia à província de Ascoli Piceno. Viajava na terceira classe do Principessa Mafalda com o irmão, Marino, de dezoito. Na Argentina, esperava por ela Angelo Luciani, de vinte e dois anos, com quem se casou. Vinham, como diz a família, «fazer a Argentina»: trabalhar, ajudar a família que tinha ficado e um dia voltar para a Itália.

A família guarda o que ela contou daquela noite. Na confusão, havia quem jogasse maçãs e outros alimentos na água para afastar os tubarões. Ela conseguiu subir num bote, mas o irmão ficou agarrado à borda, e o peso dele punha em risco todos os que estavam dentro. Um homem, para que o bote não afundasse, cortou-lhe os dedos. Marino caiu no mar, e Assunta o viu ser atacado pelos tubarões. Ela sobreviveu e chegou à Argentina sem nada: tudo o que trazia ficou no mar.

Assunta nunca mais voltou à sua terra. Em Rosario, não conseguia nem olhar o rio Paraná. De Marino não ficou nenhuma fotografia. Em 1929 nasceu o filho dela e de Angelo, e ela lhe deu o nome de Atilio Marino Luciani; ele é o avô de Alberto. Angelo morreu em 1985, e Assunta, em 1986. A família conta a história dela até hoje.

A lista de bordo traz os dois. «Roccheti, Assunta» está entre os sobreviventes da terceira classe. Entre os mortos há «Rochetti, Marina», de dezessete anos. Deve ser Marino: a lista foi escrita de ouvido, e nela os nomes trocam letras e até de gênero. A família lembra dele com dezoito anos; a lista dá dezessete.

O bisneto de Assunta pergunta quanto dessa história se pode reconstruir com documentos. A cena em si, nenhum papel confirma nem desmente. O que os depoimentos de 1927 dizem é que os botes saíram cheios demais, que havia gente agarrada às bordas e aos cascos virados, e gente empurrando gente para ganhar um lugar. Sobre os tubarões, os sobreviventes não concordam: alguns contaram ter visto tubarões atacarem quem estava na água; outros passaram horas no mar e não viram nenhum, e houve quem achasse que eram só peixes grandes que vinham seguindo o navio. A lembrança de Assunta é uma das vozes daquela noite, e fica aqui como a família a guardou.

Fotografias da família
  • Assunta Rocchetti, por volta de 1968 a 1970.

Fotografia do acervo da família, enviada por Alberto Iván Luciani.

O relato, em espanhol

En mi familia se conserva una historia que, generación tras generación, todavía se cuenta con una mezcla de dolor, incredulidad y respeto.

Mi bisabuela, Assunta Rocchetti, había viajado desde Italia a la Argentina a bordo del Principessa Mafalda, un transatlántico italiano que en 1927 emprendió su viaje hacia Sudamérica.

Pero aquel viaje terminó convirtiéndose en una tragedia.

Cuando el barco comenzó a hundirse, el caos se apoderó de todo. Según el relato que Assunta transmitió a nuestra familia, mientras las personas intentaban escapar y llegar a las embarcaciones de auxilio, algunos arrojaban manzanas y otros alimentos al agua para mantener alejados a los tiburones.

En medio de aquella desesperación, Assunta logró subir a una barcaza.

Pero su hermano quedó enganchado.

Su peso hacía peligrar también a quienes estaban intentando salvarse. Entonces, según el relato familiar, un hombre tomó una decisión terrible: para evitar que la embarcación se hundiera, le cortó los dedos que habían quedado atrapados.

El hermano de Assunta cayó al mar.

Y ella lo vio.

Según la historia que quedó grabada en la memoria familiar, Assunta vio cómo su hermano era atacado y devorado por los tiburones.

Ella sobrevivió.

Pero aquella escena la acompañó durante toda su vida y quedó como una de esas historias familiares que pasan de una generación a otra, incluso cuando ya no quedan testigos directos para contarla.

Hoy, tantos años después, nosotros seguimos preguntándonos cuánto de aquella historia puede reconstruirse documentalmente y cuánto pertenece a la memoria de una mujer que vivió una de las mayores tragedias marítimas de la inmigración italiana hacia la Argentina.

Lo que sí sabemos es que Assunta sobrevivió al Principessa Mafalda y llegó a la Argentina.

Y su historia, todavía hoy, sigue viva en nuestra familia.

Alberto Iván Luciani, su bisnieto


Assunta tenía 21 años, y Marino tenía 18 años.

Ella se casó con Angelo Luciani, de 22 años. Eran de Porto San Giorgio, Fermo, Ascoli Piceno. Angelo ya estaba en la Argentina. La estaba esperando. Ellos venían a hacer la Argentina, que era trabajar y volver a Italia, para ayudar a su familia. Pero Assunta no pudo volver más a su tierra. Es más: no podía ver ni el río Paraná, de la provincia de Santa Fe, Rosario, Argentina.

De ella, nada. Perdió todo en el agua. No hay fotos de Marino; sí de ella.

Tuvo un hijo en 1929, al que llamó Atilio Marino Luciani, y era mi abuelo. Assunta falleció en 1986. Angelo, en 1985.

De onde vem esta história

O relato é de Alberto Iván Luciani, bisneto de Assunta, enviado pelo formulário do portal em outubro de 2026 e completado por ele em mensagem no mesmo mês. Os nomes de bordo são os da lista de sobreviventes e vítimas de 1927. O que os sobreviventes disseram sobre os botes e os tubarões vem dos depoimentos publicados na imprensa de 1927, reunidos na pesquisa do livro Terceira Classe.

Contada por Alberto Iván Luciani. Recebida em 5 de outubro de 2026.

Compartilhar

← Todas as histórias

A sua família também estava a bordo?

Procure o nome na lista de passageiros e conte a história. Ela pode entrar aqui, se você autorizar.

Procurar na lista